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Uma comissão de diretores brasileiros e da América Latina da IATA (International Air Transport Association) organizou na última terça-feira (15) uma recepção para o diretor geral do órgão, Giovanni Bisignani, no Centro Britânico, em São Paulo.
Bisignani aproveitou a ocasião para elogiar a decisão da Presidente Dilma Rousseff de alocar esforços estratégicos para a aviação e tomar medidas para preparar o Brasil para sediar os eventos esportivos que o país receberá nos próximos anos. Estiveram presentes na cerimônia o Diretor de Comunicação Corporativa Anthony Concil, o Diretor do Brasil, Carlos Ebner e o Diretor para América Latina e Caribe Patrício Sepulveda.
Para o Diretor Geral da IATA, a criação de uma Secretaria de Aviação Civil com status de ministério é uma oportunidade de alavancar as mudanças necessárias para melhorar a competitividade da indústria aeroportuária. Durante o café da manhã para convidados, incluindo a organização da Airport Infra Expo, Bisignani ressaltou a necessidade de se investir em áreas como infraestrutura e marco regulatório, gerenciamento de tráfego aéreo, meio ambiente e eventos esportivos, todos assuntos que serão tema de painéis no 1º Seminário Internacional de Infraestrutura Aeroportuária da América Latina.
Infraestrutura
De acordo com Bisignani, o modelo da Infraero que controla 94% dos aeroportos do Brasil é obsoleto. “Terminais em 13 dos 20 maiores aeroportos não comportam a demanda atual. São Paulo, que responde por 25% do tráfego do Brasil, está em estado crítico, com serviços que não correspondem aos padrões internacionais”, alerta. O modelo de concessão, segundo Bisignani é um caminho viável, desde que “acompanhadas de uma regulação transparente, economicamente independente e robusta, apoiada em consultas efetivas à indústria”.
Tráfego Aéreo
A IATA solicita que o governo Federal apóie os esforços já iniciados pelo DECEA para tornar os procedimentos operacionais mais eficientes. “As empresas aéreas investiram em aviônicos para obter melhoria na eficiência dos voos, mas a infraestrutura em solo não acompanha a capacidade no ar”, apontou. A IATA ainda tem estimulado o próprio DECEA a adotar um processo de melhorias contínuas com base em análise de dados de desempenho.
Meio ambiente
A aviação já está comprometida a com a redução de consumo de combustível em 1,5% ao ano, até 2020, limitando as emissões de carbono a partir de 2020 com crescimento neutro e cortando as emissões pela metade (usando dados de 2005) até 2050. Para Bisignani, o Brasil precisa apoiar essa iniciativa global, com medidas práticas em aeroportos nacionais, “o que significa parar a iniciativa da cidade de Guarulhos de impor taxas ambientais que são contraproducentes para os esforços globais, e o governo precisa acompanhar a iniciativa da TAM com os voos de teste com biocombustíveis sustentáveis”, sugeriu.
2014 e 2016
Quanto aos grandes eventos que o Brasil vai sediar nos próximos anos – a Copa do mundo 2014 e Jogos Olímpicos 2016 – Bisignani foi pontual: “sem profundas mudanças, os aeroportos do Brasil não serão capazes de atender com sucesso a Copa da Fifa ou aos Jogos Olímpicos. O tempo está se esgotando para grandes projetos de infraestrutura. O que quer que seja alcançado, precisaremos fazer com que a infraestrutura atual funcione muito mais eficientemente e com melhores resultados”. O diretor da IATA sugeriu que os órgão com atuação em aeroportos – ANAC, Infraero, Polícia Federal, Receita Federal, Anvisa e Agricultura – institucionalizem um regime de cooperação.
Airport Infra Expo
A IATA é uma das principais apoiadoras da Airport Infra Expo. Para Bisignani, o evento é um exemplo de perseverança na mobilização e fortalecimento do setor e na tentativa de reunir esforços para a elaboração conjunta de novas diretrizes. Veja a opinião de Giovanni Bisignani sobre a Airport Infra Expo:
Qual a importância da soma de esforços dos atores do setor para melhorar a Infraestrutura brasileira? Por que é importante para a IATA apoiar essa iniciativa?
Dou boas-vindas ao evento porque é muito difícil se ter uma indústria de sucesso sem uma infraestrutura de sucesso. Vocês têm uma oportunidade importantíssima e nós apoiamos ações que mobilizam os atores em torno dessa questão. Um das coisas mais importantes, e também um dos desafios do evento, é conseguir criar espaço para se dar uma voz forte ao governo, e isso está faltando. Mas eu tenho a esperança de que vocês terão a sorte que eu não tive. Quando programei minha viagem para o Brasil, achava que ia me encontrar com o novo presidente da Infraero e o presidente da Secretaria Especial de Aviação, mas isso não aconteceu. Espero que na feira eles já tenham sido definidos e estejam presentes na abertura.
Grandes eventos são uma grande oportunidade ou um grande risco, se não houver uma infraestrutura adequada eles podem destruir a imagem do país. Eu fiquei chocado quando cheguei a São Paulo novamente e percebi que nada mudou, nada foi feito. Mas eu também quero trazer uma visão otimista, porque tive oportunidade de estar na Índia, que tinha o mesmo problema do Brasil. Eles tiveram a capacidade de mudar e tiveram sucesso com recentes eventos esportivos (Commomwealth Games). Por que o Brasil, país que tem um papel tão importante na economia, não pode também promover essa mudança? Um de seus vizinhos, a Argentina, renovou o parque aéreo de forma muito eficaz e com regulação forte e eu pude parabenizar a presidente Cristina Kirchner por isso.
A privatização não funcionou muito bem em outros países, por que acha que pode funcionar aqui?
Por que o modelo de privatização é uma grande oportunidade? Porque dessa forma o Brasil pode investir dinheiro público em outros setores e a iniciativa privada pode fazer esse investimento, o risco é que para a privatização funcionar, tem que haver um regulador transparente e rígido com as companhias aéreas e aeroportos. A concorrência é muito boa, positiva, faz baixar preço e aumentar oferta. Nos aeroportos temos um monopólio e isso é ruim porque não estimula a concorrência. Pude ver exemplos bons de privatização na Argentina e na Índia. Exemplos ruins tenho muitos para dar; existe risco para o governo, é preciso ter muita atenção se for por esse caminho.
* Matéria publicada no site da Airport Infraexpo, que acontecerá entre os dias 26 e 28 de Abril, em São Paulo.

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